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(continuação -
ver parte inicial)
Tais "deuses" realmente chegaram, na
figura dos espanhóis: com barbas, armas de fogo e cavalos (não os havia na
América).
Estes homens-deuses eram poucos, mas
dispunham de coragem temerária, de armas poderosas, de grande poder de intriga
e de ambição desmedida.
Em 1533, Francisco Pizarro marcou um
encontro com Ataualpa e seus guerreiros.
Era uma cilada.
Os espanhóis, armados e em seus
cavalos, mantinham-se emboscados. O padre da expedição mostra uma bíblia ao
orgulhoso inca. Ele a folheia e lança-a fora.
É o sinal: os espanhóis avançam e
massacram os índios. Ataualpa é preso. O império desmorona em alguns minutos.
Como resgate, Pizarro exige enorme quantidade de ouro e o dobro em prata. Os
índios o recolhem.
Mas o conquistador condena Ataualpa à
morte. Para que escape à fogueira, obriga-o a... converter-se! A seguir,
executa-o no garrote, tortura que existiu (até recentemente) na Espanha.
A seguir, há um período de matanças
entre os conquistadores, cegos pela prata peruana. A situação só vem a
estabilizar-se com o vice-rei FranciscoToledo. Assim, os espanhóis vão impor
aos incas sua concepção de cristianismo, sua inquisição, suas touradas, seu
garrote e suas doenças.
Os índios são escravizados e morrem
facilmente. Se em 1533 eram avaliados em dois milhões, ao final do século XVII
não passavam de 600 mil.
A alma inca foi destruída?
Se olharmos apenas a pobreza e a
humildade do povo, vendendo, com olhos suplicantes, roupas, tapetes, objetos
(de grande beleza artesanal), poderá nos parecer que sim.
Mas por toda parte vemos as festas
populares tradicionais e alegres, o respeito aos santuários, à terra, à lhama,
ao lago Titicaca. O sincretismo religioso aparece até em quadros e em entalhes
de madeira feitos pelos artistas indígenas em catedrais como a de Cusco.
Os guias e os mestiços mais cultos
crêem na energia de certos locais e de certas ruínas, na força de algumas
tradições.
E o visitante se sente envolvido pelas
montanhas, frias e nubladas, pelo mistério dos Templo do Sol; de Qengo; de
Pukapukara; de Saqsaywan; de Machupicchu; do Titicaca e outros centros.
O fanatismo e a crueldade escavaram
seus santuários à procura de metais, ou os cobriram com terra, para que fossem
esquecidos.
Mas o estrangeiro atento verá o passado
teimoso e eterno no fundo dos olhos do mais simples dos quêchuas.
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